Cinco Toneladas de Linho

Se você precisa perguntar, ainda não está pronto para saber

A fase anal

Trinta e sete e ele já não pensava em mais nada. A dor e o prazer, a vida e a morte e a distância e a diferença entre as coisas tornaram-se tão claras e insignificantes. Ele sentiu uma paz absoluta, como nenhuma meditação o faria sentir. Por volta do número quarenta e nove, o súbito desejo de se ver penetrado rendeu-lhe uma ereção vigorosa, prontamente notada por sua parceira. Ela largou o chicote e meteu o dedo em seu cu. Não resistiu: estrebuchou e gemeu. “Escuta aqui, sua putinha”, falou ela em seu ouvido, “é isso o que você gosta?”.

Mas ele queria mais, havia provado o nirvana e não se contentaria com pouco. “Deixa eu… ah… deixa eu cheirar seu cu…”, pediu entre gemidos. Ficaram como num meianove e ela abocanhou seu pau, e tudo o que ele precisava era respirar o cheiro de suor e merda da bunda dela para se sentir feliz e completo novamente.

Ausência

Quando eu te ver vai ser com o canto do olho. Fazer de você sujeito-ausência. Lançar-te olhares oblíquos e tecer-te de cores opacas. Não é que não quero te ver nunca mais, apenas não posso te ver diretamente. A sua presença dá mais interesse a tudo à sua volta. Você se apaga, se anula. E quanto mais você se esforça para não me ver, mais consciente fico do espaço entre nós, do espaço ao seu redor, do vazio de você.

#occupyallstreets

Havia uma caixa eletrônico
De longe ele pedia
vem cavem cavem ca
De perto ele dizia
canseicanseicansei

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